Há tempos não falo sobre uma das minhas maiores paixões, seriados. Então resolvi fazer um comparativo entre duas mídias que ocupam a programação da televisão americana e inglesa. Trata-se da série Being Human seriado originalmente inglês que ganhou uma adaptação americana este ano. O enredo é "modesto" um lobisomem judeu e um vampiro de duzentos anos decidem ir morar juntos e lá encontram uma fantasma apegada a casa onde vivia quando viva. Está instaurado o argumento. A ideia é mostrar a busca do trio por humanidade, tentando levar uma vida normal que ultrapasse seus problemas sobrenaturais.
Entre as duas versões começamos a ver diversas diferenças, a começar pelo conceito de cada ser sobrenatural, na versão inglesa eles não se preocupam muito com tradição ou lendas codificadas sobre cada entidade, permitindo regras próprias num universo todo seu. Assim temos vampiros quase humanos que comem e misturam-se na multidão, salvo a sede de sangue, que também assola e muito o protagonista, já na ideia americana temos vampiros heróicos e super poderosos, mais próximos das convenções criadas no mundo vampiresco da mídia atual. Na versão americana temos também uma fantasma mais tradicional, fria e distante, sem nenhum contato com o mundo, exceto pelos seus amigos sobre-humanos. Na versão inglesa temos uma fantasma mais afável que faz muitos chá como que para lembrar rituais da sua antiga vida. O lobisomem não muda muito salvo que optaram por transformar o caráter inteligente do inglês para um lobisomem mais nerd na versão americana.
Todas essa mudanças demonstram a maior falha americana, a de deixar de lado a ideia da busca por normalidade dos protagonistas, mesmo enterrados até o pescoço num mundo de ação. Não vemos a química existente nos três ingleses, que sabem mostrar amor e afeto mesmo em personagens frios e sarcásticos.
A personagem fantasma para mim é a que mais perde, se na versão inglesa temos uma generosa moça que como que como brincadeira dos autores é a com a mais sede de vida dos três personagens. Na versão americana ela perde seu brilho e vira mais um fantasma estereotipada.
O vampiro perde o seu charme, apesar da beleza do americanos ser bem mais clichê, não vemos a tormenta sofrida pelo inglês, só vemos um desespero sem afeto extremamente frio.
O lobo inglês se assemelha muito ao americano, talvez pela boa escolha do ator na versão americana que soube pegar a essência do personagem que sofre muito por não viver uma vida normal, apesar de ser o mais dedicado a isso dos três, perdemos apenas porque não temos personagens que dialoguem com a frieza necessária que esse mundo pede.
Em suma a adaptações apelou para a onda receptiva de ideias sobrenaturais e perdeu o caratér humano da série inglesa, não vemos a força dessas relações, como a personagem fantasma inglesa que supera seu trauma em sair de casa para ajudar o amigo lobo, na versão americana ela não cria força pra isso, nem o público a continuar assistindo.

Um comentário:
minhas férias, minha segunda-feira, minha vida não é tão legal sem ti. Que saudade de ti Sandino.
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