quarta-feira, 11 de março de 2020

Bacurau e a boa insistência no cinema brasileiro

Sempre que um filme brasileiro se destaca entre a crítica é inerente uma análise da própria produção nacional concomitante a análise da obra em questão.

Talvez essa necessidade de caracterização seja importante posto que a cena cinematográfica brasileira sempre é alvo de críticas dos mais diversos setores da sociedade. Ouço quase sempre que a dificuldade de consumir produtos nacionais se deve ao fato de que são mais pobres de recursos, com efeitos ruins, com roteiros estereotipados e de difícil compreensão, de fato em muitas situações eis uma verdade. Mas nenhuma análise que percebi considera o contexto de produção que o nosso cinema está inserido, que tem sua história feita de montanhas russas de investimentos, repressões que moldaram nossa identidade cinematográfica. Em tempos de prova do Exame Nacional do Ensino Médio, estimulando a reflexão sobre a Democratização do acesso ao cinema, precisamos sim pensar em possibilidade de ampliação do acesso ao expectador, com barateamento do valor do ingresso, com o aumento do número de salas, etc, mas ainda precisamos por em perspectiva neste diálogo o fomento a indústria brasileira de cinema.

Uma obra como Bacurau incute novamente a ela essa reflexão, posto que o filme fricciona linguagens para contar uma história essencialmente brasileira,  se somando ao que fez nosso cinema ao longo dos anos, contando história do povo de uma pequena cidade, contamos também a história de um cinema que se desafia em seu próprio fazer. Vi Bacurau com o olhar admirado de quem via um filme de seu país, mas que também via um cinema questionador de clichês e convenções como tanto gosto de ver na tela grande. Bacurau é importante porque discute cinema, cinema brasileiro, porque dialoga com o tempo em sua temática. Os gringos americanos não estão ali somente no roteiro, estão nas referências, de se fazer cinema, de se fazer violência.

Bacurau me pegou não só por possuir uma ótima história que se relaciona com diversos estilos cinematográficos hegemonizados pela indústria norte-americana, mas também por afirmar um "estilo" nacional de se fazer cinema. Todo o protocolo Brazuca de produção de película está lá, desde a exposição exagerada da paisagem nacional, em especial a nordestina, caracterizada pela aridez, até o roteiro que se faz cru, na linguagem no desenvolvimento do personagem. Destaque a diferença de registros de atuação dos personagens norte-americanos, que se fazem épicos e providos de uma empáfia de que imperializa o mundo e dos personagens brasileiro, com seus diálogos objetivos e pragmáticos.

Em Bacurau se resgata clássicos brasileiros de nossa história e imaginário social, reforçando um contexto coletivo de existência de povos feitos de resistência.

Acredito que perceber nossa própria produção em cinema, nesta intersecção importante do pensar a nossa própria produção, que se faz pulsante, mesmo em um cenário de instabilidades e pouco investimento na área. Ainda que devamos reconhecer a crítica a um cinema elitizado, como pouco ou nenhum diálogo com o conjunto da sociedade, precisamos enxergar a arte feita em nossa terra, com olhares e percepções de nossa própria história. 


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

aberto/fechado
público/privado
sol/lua
dia/noite
tempos de chuva/tempos de seca
sexo/castidade
verdade/metira
amor/ódio
vida/morte
festa/sossego
força/fraqueza
dor/prazer
laicidade/sincretismo
denso/leve
polido/expansivo
coração/razão
se perdendo/se encontrando
coragem/covardia

sono/insônia

apenas algumas doses de dialética que ando pensar.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

que as ruas fossem feitas de sonhos...
que as pessoas pudessom compartilhar momentos
de solidariedade e companheirismo sem parecer piegas
que brincar, brindar, celebrar a vida não fosse privilégio de poucos...
andar de bicicleta até a coxa ficar doida...
sentir o açucar da goma de mascar com a ponta da língua
e virar poesia
e ser o que se quiser
e amar livremente...
e apreender a beijar de um jeito diferente
e ter amores platônicos...
e acontecer no mundo...
e achar bunitinho a sua boca enquanto você come um xis bacon...
e dançar desengonçado pra impressionar o boy magia que os dois queriam pegar...
e ser feliz...
e ser...
descobrir que nem tudo é o que parece, e que todo mundo pode ter lados ruins
mas desconsiderar isso logo depois... porque o próximo episódio daquele enlatado americano é mais importante...
e ser juntos...
ser os mais vanguardistas dos antigos, se achando novidade, mas no fundo sendo só aqueles mesmos dois... com histórias parecidas, famílias parecidas, vindos de realidades semelhantes, só que em cidades diferentes e que por alguma razão inexplicável ainda sonham! e muito!
e que a galinha segurada em baixo do braço não saia das nossas mãos, porque no fim das contas é ela que faz agente acordar todo dia e acreditar que sim! é possível! é possível ser feliz o tempo inteiro... ou na maior parte do tempo pelo menos...

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

gente segue aí uma baita indicação de filme a ser assistido... as nossas instituições de ensino ainda carregam muitos dogmas que precisam ser superados.

"Entre os muros da escola"

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

tenho pensado pra caramba nessa história de ego, o que tem me deixado muito, mas muito preocupado comigo, justamente porque isso está intimamente associado a ideia de "egoísmo",
mas quem disse que isso é ruim?

por mais que eu seja muito consciente de que a vida em coletivo, que a organização social seja muito importante, também sei que todos se trancam em si mesmos em algum momento da vida...

sei que viver em coletivo é um dos maiores desafios dos dias claustrofóbicos que vivemos, também sei que a solidão existe, é fato...  talvez seja coisa de filho único, não sei... pensando.

procurando-me...

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

um corpo a se organizar esteticamente no tempo e no espaço